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Nem sempre a depressão parece tristeza: os sinais que costumam aparecer no dia a dia

Foto do escritor: Priscila Perez
Priscila Perez
10 de ago.
3 min de leitura
pessoa com depressão

Quando pensamos em depressão, é comum imaginar alguém profundamente triste, chorando com frequência ou incapaz de realizar suas atividades.


Mas nem sempre é assim.


No consultório, muitas pessoas não chegam dizendo “acho que estou deprimido”.


Elas chegam dizendo:

“Estou cansado o tempo todo.”

“Não tenho mais paciência com ninguém.”

“Chega o fim de semana e eu não quero fazer nada.”

“Continuo trabalhando, mas parece que faço tudo no automático.”

“Não tenho vontade de encontrar as pessoas.”

“Não me reconheço mais.”


E só ao longo da conversa começamos a perceber que essas mudanças podem fazer parte de um quadro depressivo.


Tristeza não é sinônimo de depressão


A tristeza é uma emoção humana e faz parte da vida. Podemos ficar tristes diante de uma perda, uma frustração, um conflito ou simplesmente atravessar períodos mais difíceis.

A depressão é diferente.

Ela envolve um conjunto de sintomas que persistem ao longo do tempo e podem modificar a maneira como a pessoa sente, pensa, se relaciona e funciona no cotidiano.

O humor deprimido pode estar presente, mas não é a única forma de apresentação.

Em algumas pessoas, o que chama mais atenção é a perda de interesse e de prazer. Aquilo que antes era espontâneo começa a exigir esforço.

Encontrar amigos, fazer exercício, brincar com os filhos, sair para jantar ou simplesmente assistir a uma série podem deixar de despertar o mesmo interesse.

A pessoa não necessariamente está triste o tempo inteiro. Às vezes, ela simplesmente percebe que a vida perdeu um pouco da cor.


“Eu só estou muito cansado”


O cansaço é uma das queixas que aparecem com frequência.

Atividades simples passam a exigir um esforço desproporcional. A pessoa pode continuar trabalhando, estudando e cumprindo suas responsabilidades, mas termina o dia completamente esgotada.

Por isso, conseguir “continuar funcionando” não exclui a possibilidade de depressão.

Há pessoas que mantêm trabalho, família e compromissos durante bastante tempo enquanto adoecem silenciosamente.


Irritabilidade também pode aparecer


Outra manifestação que nem sempre é associada à depressão é a irritabilidade.

A tolerância diminui. Pequenos acontecimentos começam a incomodar mais. As relações ficam mais difíceis e surge a sensação de estar permanentemente sem paciência.


Muitas vezes, a própria pessoa percebe a mudança e diz:


“Eu não era assim.”


Esse estranhamento em relação a si mesmo merece atenção.


Quando até as coisas boas perdem a graça


Um dos sintomas importantes da depressão é a redução da capacidade de sentir prazer, chamada anedonia.

Não significa necessariamente que a pessoa não consiga sentir absolutamente nada.

Às vezes é mais sutil.

Ela ainda vai ao restaurante, encontra amigos ou viaja, mas percebe que não aproveita como antes. Está presente fisicamente, mas emocionalmente parece distante daquela experiência.


É comum ouvir:


“Eu sei que deveria estar feliz, mas não consigo sentir.”



“Talvez seja só uma fase”


Nem todo período de cansaço, irritabilidade ou desânimo significa depressão.

Privação de sono, sobrecarga, doenças clínicas, alterações hormonais, uso de determinadas substâncias e outros transtornos psiquiátricos também podem produzir sintomas semelhantes.

Além disso, existem reações emocionais esperadas diante de acontecimentos difíceis da vida.

É justamente por isso que uma lista de sintomas na internet não substitui uma avaliação individual.

Na psiquiatria, importa não apenas saber quais sintomas existem, mas quando começaram, quanto tempo duram, qual a intensidade, como interferem na vida e em que contexto estão acontecendo.


Quando procurar ajuda?


Talvez a pergunta não precise ser apenas “será que eu tenho depressão?”.


Também podemos perguntar:


“Alguma coisa mudou em relação a como eu costumava ser?”


Se o cansaço, a perda de interesse, a irritabilidade, o isolamento, as alterações de sono ou a sensação de não se reconhecer mais estão persistindo e interferindo na sua vida, pode ser importante conversar com um profissional.

Você não precisa chegar à consulta sabendo qual é o diagnóstico.

Na verdade, essa é justamente uma das funções da avaliação psiquiátrica: compreender o que está acontecendo antes de decidir qual é o melhor caminho para o tratamento.



As informações deste texto têm caráter educativo e não substituem uma avaliação médica individualizada. Evite o autodiagnóstico e a automedicação. Se você se identifica com alguns desses sintomas ou percebe mudanças persistentes na sua saúde mental, procure avaliação médica, preferencialmente com um psiquiatra.



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