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Na medicina ( ou na vida), nem sempre, nem nunca....

  • Foto do escritor: Priscila Franco Perez
    Priscila Franco Perez
  • 20 de jan.
  • 2 min de leitura
Calendário, nem sempre, nem nunca

Este é um post que publiquei inicialmente no meu Instagram, mas que quis trazer também para o blog, com um pouco mais de espaço para reflexão.


Muitas vezes, na vida, ficamos presos a extremos: tudo ou nada, sempre ou nunca, certo ou errado. São formas rápidas de organizar o mundo, mas que quase nunca dão conta da complexidade da experiência humana. Entre esses polos, existem nuances, contradições, ambivalências e, muitas vezes, é justamente ali que as coisas mais importantes acontecem.


Olhar para as entrelinhas, reconhecer nossas próprias ambivalências e conseguir percebê-las também no outro pode ser desarmador. Não no sentido de relativizar tudo, mas no sentido de sair das certezas rígidas. Essa reflexão, vale dizer, não se aplica a situações em que exista desrespeito, abuso ou qualquer forma de violência. Nesses casos, o cuidado passa, antes de tudo, por limite, proteção e responsabilização.


Vou deixa o post aqui abaixo:


“Na medicina, nem sempre. Nem nunca.”


Essa é uma frase muito falada entre médicos. Não importa a geração, a faculdade ou a especialidade. E ela carrega uma verdade enorme.

Quantas e quantas vezes eu escutei isso ao longo da minha formação: na faculdade, na residência, nas discussões de caso, em congressos. Se tem algo que é quase unânime entre médicos, eu arrisco dizer que é essa frase.


Gente, em saúde, quase nada é absoluto

Reparou no “quase”? Pois é.


Na psiquiatria, isso aparece o tempo todo. O que funciona muito bem para uma pessoa pode não funcionar para outra. O que costuma acalmar, em alguns casos, pode deixar a pessoa mais inquieta e agitada. Tem medicação que muita gente conhece como “sedativa” para dormir e que, em algumas pessoas, piora o sono.

Muitos pacientes me perguntam: “Então, com esse remédio eu vou dormir bem, né, doutora?”

E eu sei como é frustrante ouvir que não dá pra afirmar. Pra quem está ali buscando ajuda, e pra mim, como profissional, também.


Mas a verdade é que eu não posso garantir. Nem o efeito esperado, nem a resposta do organismo, nem mesmo se aquele sintoma faz parte exatamente do quadro que estamos investigando.

E na psiquiatria isso fica ainda mais evidente porque, apesar de existirem quadros com mecanismos bem estabelecidos, cada pessoa responde de um jeito.


Nem toda dificuldade com barulho, textura ou mudanças é autismo.

Nem toda desatenção é TDAH.

Nem toda tristeza é depressão.

Nem toda irritabilidade é “jeito da pessoa”.


Diagnóstico não é um rótulo pronto. Ele vai sendo construído com escuta, com tempo, com história de vida, com contexto e com a forma como os sintomas evoluem.


E isso vale muito fora do consultório também. Pra vida.


Nem sempre o que deu certo antes vai dar certo agora

Nem nunca você vai reagir da mesma forma diante das mesmas situações.

As pessoas mudam. As fases mudam. Os contextos mudam.


Trazer essa reflexão é um convite a olhar com mais curiosidade, menos pressa e menos certezas absolutas. Na medicina. E na vida.


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