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Quando procurar um psiquiatra? Sinais de que pode ser hora de buscar uma avaliação

Foto do escritor: Priscila Perez
Priscila Perez
10 de ago.
4 min de leitura
Psiquiatra


Uma dúvida bastante comum é: como saber quando aquilo que estou sentindo deixou de ser apenas uma fase difícil e merece uma avaliação psiquiátrica?


Nem sempre existe uma resposta óbvia.


Muitas pessoas imaginam que só deveriam procurar um psiquiatra quando os sintomas se tornam muito intensos, quando já não conseguem trabalhar ou quando acontece uma crise.


Mas não é preciso esperar chegar a esse ponto.


Na prática, muitas pessoas chegam ao consultório depois de meses tentando entender sozinhas por que não estão se sentindo como antes.


A avaliação psiquiátrica pode ser indicada não apenas diante de uma crise, mas sempre que mudanças emocionais, comportamentais ou cognitivas começam a persistir, causar sofrimento ou interferir na vida cotidiana.


1. Você percebe que não está se sentindo como antes


Às vezes, o primeiro sinal não é um sintoma específico.


É uma percepção.


“Eu não era assim.”

“Não sei exatamente o que aconteceu, mas alguma coisa mudou.”


Pode ser uma mudança na disposição, na paciência, na capacidade de sentir prazer, na maneira de se relacionar ou simplesmente na sensação de reconhecer a si mesmo.

Quando essa mudança persiste, vale a pena tentar compreender o que está acontecendo.


2. Ansiedade e preocupação começaram a ocupar espaço demais


Sentir ansiedade faz parte da experiência humana.

Ela se torna um problema quando passa a ser excessiva, difícil de controlar ou desproporcional às situações e começa a interferir na rotina.

A pessoa pode perceber que está constantemente antecipando problemas, imaginando cenários negativos, buscando garantias ou evitando situações por medo.

Também podem aparecer sintomas físicos, como palpitações, tensão muscular, alterações gastrointestinais, falta de ar e dificuldade para dormir.

Quando viver em estado de alerta começa a parecer o seu “normal”, talvez seja hora de investigar.


3. Coisas que antes davam prazer perderam a graça


Nem sempre a depressão aparece como tristeza intensa.

Às vezes, o que chama atenção é a perda progressiva do interesse.

Encontrar amigos, praticar atividade física, sair, viajar, ter relações sexuais, assistir a um filme ou realizar atividades que antes eram prazerosas começa a parecer indiferente ou exigir esforço.

Essa diminuição da capacidade de sentir interesse ou prazer pode ser um sinal importante quando persiste ao longo do tempo.


4. Seu sono mudou e não consegue voltar ao padrão habitual


Sono e saúde mental estão profundamente relacionados.

Dificuldade persistente para adormecer, acordar repetidamente durante a noite, despertar muito cedo ou, no extremo oposto, dormir excessivamente podem acompanhar diferentes transtornos psiquiátricos.

Uma noite ruim ou um período curto de insônia não significam necessariamente adoecimento.

Mas alterações persistentes do sono, principalmente quando acompanhadas de mudanças no humor, ansiedade, energia ou funcionamento durante o dia, merecem avaliação.


5. Você está funcionando, mas tudo passou a exigir esforço demais


Esse é um ponto importante.

Continuar trabalhando, estudando, cuidando da casa ou cumprindo compromissos não significa necessariamente estar bem.

Algumas pessoas mantêm suas responsabilidades durante bastante tempo mesmo enquanto enfrentam um sofrimento psíquico significativo.

Por fora, a rotina continua.

Por dentro, existe a sensação de estar gastando uma quantidade enorme de energia apenas para manter aquilo que antes acontecia naturalmente.

Quando “dar conta” passa a ter um custo emocional muito alto, isso também merece atenção.


6. Suas emoções começaram a interferir nos relacionamentos ou no trabalho


Irritabilidade, impulsividade, crises de ansiedade, dificuldade de concentração, isolamento ou alterações importantes do humor podem começar a produzir consequências concretas.

Discussões se tornam mais frequentes.

O rendimento profissional cai.

Tarefas simples começam a ser adiadas.

Relacionamentos ficam mais difíceis.

A pessoa passa a evitar situações que antes faziam parte da sua rotina.

Quando os sintomas começam a modificar decisões, relações ou possibilidades de vida, é importante investigar.


7. Você já tentou resolver sozinho e continua sofrendo


Muitas pessoas chegam ao consultório depois de tentar diferentes estratégias.

Férias.

Exercício.

Mudança de rotina.

Dormir melhor.

Conversar com amigos.

Esperar “essa fase passar”.

Todas essas medidas podem ser importantes, mas existem momentos em que não são suficientes.


Procurar uma avaliação não significa que necessariamente será preciso iniciar uma medicação.


O primeiro objetivo de uma consulta psiquiátrica é compreender o que está acontecendo.


Preciso ter um diagnóstico para procurar um psiquiatra?


Não.


Você não precisa chegar à consulta sabendo se tem ansiedade, depressão, TDAH, transtorno do pânico ou qualquer outro diagnóstico.


Também não precisa saber explicar perfeitamente o que está sentindo.


A avaliação existe justamente para organizar essas informações.


Uma consulta psiquiátrica envolve compreender os sintomas atuais, quando começaram, sua evolução, o contexto em que surgiram, antecedentes pessoais e familiares, sono, rotina, uso de substâncias e medicamentos, condições clínicas e outros aspectos que possam estar relacionados ao quadro.


A partir disso, é possível discutir hipóteses diagnósticas e, quando necessário, possibilidades de tratamento.


Procurar um psiquiatra significa que vou precisar tomar medicação?


Não necessariamente.

A indicação de tratamento depende de cada situação.

Em alguns casos, a psicoterapia pode ser a principal recomendação. Em outros, mudanças comportamentais, investigação clínica ou acompanhamento ao longo do tempo podem ser necessários.

E há situações em que a medicação pode fazer parte do tratamento.

A decisão deve considerar o diagnóstico, a intensidade dos sintomas, os prejuízos existentes, os riscos e benefícios de cada estratégia e também as características individuais de cada paciente.


Não é preciso esperar piorar


Talvez esse seja o ponto mais importante.

Buscar uma avaliação psiquiátrica não precisa ser o último recurso.

Você não precisa esperar uma crise, deixar de trabalhar ou chegar ao limite para considerar que seu sofrimento merece atenção.

Se alguma coisa mudou, persiste e está interferindo na maneira como você vive, trabalha, se relaciona ou se reconhece, pode ser um bom momento para conversar com um profissional.


Às vezes, a primeira pergunta não precisa ser:

“Será que eu tenho algum transtorno?”


Pode ser simplesmente:


“Por que não estou me sentindo como antes?”


Entender o que está acontecendo já pode ser o primeiro passo.

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